
Televisão, fofoca e uma garrafa de whiskey esses foram os ingredientes escolhidos para criar a tia perfeita. Mas o Professor Gugu acrescentou acidentalmente um ingrediente extra na mistura: A MILITÂNCIA.
E assim nasceram AS TIAS DO PAVÊ.
Produzido na NAVE Coletiva, espaço da Mídia MINJA, Bernardo Fala, Caio Revela e Bielo Pereira vão te levar por uma viagem regada a comentários sem noção e falta de memória sobre os assuntos mais aleatórios da internet. Se o PT destruiu a sua vida e você não aguenta mais os direitos humanos, venha sentar na nossa mesa de chá para responder a pergunta que mais assola a humanidade até hoje: é pavê ou pacumê?


Esse da esquerda sou eu em 2011, num dos menores pesos que tive. Tinha acabado de emagrecer quase 40kg e arrancava elogios em qualquer lugar que eu ia. Finalmente tinha conseguido realizar meu sonho desde criança: emagrecer.
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Só que eu continuava me achando horrível. Tão feio que essa é uma das únicas fotos que tinha na época. Talvez porque minha cabeça estivesse devastada. Cheguei nesse peso a base de muita anfetamina e dietas que me fizeram comer coisas loucas tipo purê de ervilha durante dias. Tudo isso, receitado por um médico, com CRM e tudo.
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Mas, o que quase ninguém sabe, é que eu tinha feito isso tudo por "amor". Me sujeitei a passar por tudo isso para ser aceito por quem eu amava na época. Cada quilo que perdia, cada dia que passava mal, era um degrau mais baixo num poço sem fundo de dieta, tristeza e sentimento de rejeição que me joguei. Me prometeram a vida toda que eu seria feliz magro. Então por que eu não me sentia assim? Foi uma das piores épocas da minha vida. Mas ninguém sabia disso.
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Esse da direita sou eu hoje, num dos maiores pesos que já tive na vida. Depois sofrer uma vida toda e quase fazer uma bariátrica desesperada, comecei a pensar que tudo o que eu tinha feito e acreditado até então, talvez estivesse errado. E nesse processo cheio de dúvidas e insegurança, acordei um dia, me olhei no espelho, e estava me odiando um pouco menos. Daí que tudo começou a mudar.
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Pela primeira vez, não acordo de manhã me sentindo uma merda nem tenho vontade de desaparecer. Me sinto acolhido e muito grato por tudo que descobri de mim e por todas as pessoas incríveis que se aproximaram. Daí veio o canal, a militância, e eu finalmente me senti parte de algo: dessa família linda que eu tenho o maior orgulho de chamar de bernardetes, essas pessoas incríveis espalhadas pelo mundo que me dão tanta força pra continuar.
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Querem medir meu valor e minha felicidade pelo número que aparece na balança. E hoje, mais que nunca, eu posso garantir: não poderiam estar mais errados.
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Se amar e saber que sua vida já começou, é mesmo revolucionário. E eu amo cada um que me ensinou e me ensina isso até hoje. ❤





Esse post é muito difícil pra mim. Só a gente que é gordo sabe o quanto não caber nas coisas nos coíbe de aproveitar a vida como qualquer outra pessoa (e nem me refiro a caber confortavelmente pq aí já é demais kkk). A gordofobia tira meu acesso e me isola, já que o mundo não foi feito para pessoas do meu tamanho. Eu que lute, né? Mas tem dia que é fodaÉ horrível não caber em 99% das cadeiras dos lugares que vou e, infelizmente, a gente acaba naturalizando todo desconforto e toda dor. Essa cena é tão comum pra mim que até já digo: “nessa aqui nem senti tanta dor” ou “que tudo nem fiquei com hematoma dessa vez”. Sei que isso nem passa pela cabeça das pessoas porque sair de casa sem ficar com medo se a cadeira do lugar vai te caber ou não é um privilégio mesmo. A todas as pessoas gordas que estão aqui, saibam que o corpo de vocês não é errado. Errado é todo preconceito, toda humilhação corretiva e todo constrangimento que a gente passa por simplesmente existirmos. Mandar emagrecer é fácil mas QUEM SE PREOCUPA COM A SAÚDE MENTAL DE UMA PESSOA GORDA? Todo meu amor, carinho, respeito e empatia por vocês. Tamo junto
❤











