PT Coletivo Coiote / Distro Dysca / Festival Kuceta / Monstruosas / Cucetas Produções / De Trans pra frente - O ápice das artes visuais brasileiras e literalmente o maior rat king brasileiro.

Sparky Lurker

Arauto do Autismo
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O ano é 2011, conheça Raissa Vitral:
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Raissa é uma artista visual, que se identificava acabar com os padrões estabelecidos pela sociedade, como você pode ver aqui um dos principais projetos que fez ela catapultar a sua fama.
Em 2013, Raissa fez parte de um dos maiores protestos gravados pela mídia brasileira, a Marcha da vadias, e até mesmo virou notícia quando demonstrou seus dotes artísticos:
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E finalmente em 2014 Raissa decidiu realmente extrapolar, e fazer o protesto da xereca satânica em uma universidade, em que decide ao vivo costurar a própria vagina:
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https://www.correio24horas.com.br/n...nte-seminario-em-universidade-recebe-ameacas/ (http://archive.md/vm8tQ)
A artista que costurou a própria vagina com uma bandeira do Brasil dentro durante uma performance intitulada de “Xereca Satânik”, campus de Rio das Ostras (RJ) da Universidade Federal Fluminense (UFF), está sofrendo ameaças. Segundo o jornal Extra, Raíssa voltou para Minas Gerais, onde mora, e evita dar entrevistas por conta do assédio.

A manifestação artística foi realizada no dia 28 de maio por integrantes Coletivo Coyote e gerou polêmicas após ser divulgada na internet. Na performance, a artista insere uma bandeira do país no órgão genital, costura, com a ajuda de colegas, e queima a flâmula em uma fogueira.

"As pessoas dizem que vão matar, dar tiros. Ameaçam os filhos dela. Ela corre riscos brabos mesmo, recebe ameaças pela internet. As pessoas são malucas. A Raíssa põe o corpo dela como forma política, ela é uma guerrilheira dos nossos dias. Admiro ela por isso. Espero que não haja uma caça às bruxas" defendeu em entrevista ao Extra o chefe do Departamento de Artes e Estudos Culturais do Instituto de Humanidades e Saúde da UFF, Daniel Caetano.

Segundo os organizadores, a performance fazia parte da festa de confraternização do "II Seminário de Investigação e Criação do Grupo de Pesquisas UFF/CNPq: Cultura e Cidade Contemporânea - arte, política cultural e resistências" e se tratava de um protesto contra a violência e os estupros registrados na região da própria universidade.

Defesa
Além do professor chefe do departamento de Artes, os professores do curso de Produção Cultural de Niterói divulgaram apoio à manifestação. Em nota, eles se dizem espantados com a reação ao “Xereca Satânik”.

“Causa-nos espanto o grau de estranheza e criminalização com a qual tanto a perfomance da artista Raíssa, quanto a própria universidade foram tratadas nos últimos dias. Por se tratar de um espaço de experimentação de linguagens e reflexão - com seus evidentes riscos de choque à moral e ao senso comum -, é justamente na universidade onde devem ser expostos os descontentamentos, estimulados os debates, e negados quaisquer vícios de censura”, diz nota.

Um texto divulgado no Facebook na terça-feira (3), o professor Daniel Caetano diz que o evento foi uma “performance para chocar” e declarou “apoio total aos organizadores”.
"A costura de partes do corpo, inclusive da região genital, não é novidade para qualquer pessoa que tenha lido mais de um parágrafo sobre arte contemporânea posterior aos anos 1970. Sugiro a quem quiser saber mais sobre o assunto que pesquise os trabalhos de pessoas como Marina Abramovic e Lydia Lunch. A performance tinha como um dos objetivos denunciar a constante violência contra mulheres na cidade de Rio das Ostras, onde as ocorrências de estupros estão entre as maiores do país. O caso é que foram feitas e divulgadas fotos do evento - o que deu a ele uma dimensão política e social que vai muito além dos muros do Pólo, tornando-se tema de blogs sensacionalistas e da imprensa marrom", escreveu o professor.
Investigação
A reitoria da universidade abriu uma sindicância para investigar as denúncias sobre uso de drogas e álcool na unidade durante o "Xereca Satanik". As denúncias relatam que aconteceu no local uma festa com orgias e rituais satânicos.

Alguns alunos fizeram imagens na festa. Mulheres nuas e mascaradas aparecem em várias delas. Um crânio humano também aparece em uma das fotos. Bebidas que ficavam em novo anexo da UFF foram usadas na festa. "A festa ocorreu ao lado do prédio novo chamado multiuso. O diretor do polo permitiu o armazenamento de bebidas dentro da universidade. O uso de drogas é praticamente liberado. Precisamos de uma intervenção urgente", contou um aluno ao G1 local.
O reitor da UFF, Roberto Salles, diz que além da sindicância também foi proibido que diretores do polo falem sobre as festas. Ele disse que possíveis responsáveis serão punidos.
Após isso Raissa finalmente decide sumir da internet...
O ano é 2019, Jair Bolsonaro faz o tweet mais polêmico do carnaval, denunciando dois foliões, um mijando em cima do outro:
https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1103069837876711425 (http://archive.md/eGfaH)
Um dos integrantes desta incrível cena, por nome de Paulx Castello, decide se vitimizar, deletando toda sua mídia social e dar uma entrevista para Época:
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Não foi um ato espontâneo nem excessos de Carnaval. A cena exibida em vídeo compartilhado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, na noite de terça-feira (5), era uma performance de um artista e ativista que se dedica a discutir “sexualidades não normativas”. Na cena divulgada mundialmente, uma pessoa de cabelos compridos dança, penetra-se com os dedos e, em certo momento, abaixa a cabeça para que um outro rapaz (também artista) urine sobre ela.
A pessoa de cabelos compridos se identifica como Paulx Castello e/ou Sofia Lacre. Artista formada pela Universidad Nacional de las Artes (UNA), na Argentina, foi uma das realizadoras do Kuceta (póspornografias): festival de cultura e política sexodissidente realizado em junho do ano passado em São Paulo que, conforme descrição, pretende “exibir algo do que tem sido produzido em relação a sexualidades não normativas”, ou seja, as sexualidades que estejam fora dos padrões usuais de gênero e orientação sexual .
Em seu perfil no Facebook, Sofia publica imagens relacionadas à performance e sexualidade — e um vídeo com a música “O amor e o poder”, de Rosana, além de compartilhar posts e notícias sobre os direitos e dificuldades da população transgênero.
A performance tuitada por Bolsonaro ocorreu durante o BloCU, na segunda-feira (4), no centro de São Paulo, e foi postada em um grupo seguido por menos de 100 pessoas. Dois dias antes, uma apresentação semelhante havia ocorrido em Lisboa, Portugal — mas sem a participação de Paulx Castello. No Carnaval paulista, a estrela do bloco foi a atriz e cantora Jup do Bairro, que cantava, numa sincronia perfeita com o rapaz que urinava (um ator): Eu falei pra minha mãe/que eu queria ser mulher/sabe o que ela me disse?/“Fazer o que, né?” . O universo musical de Jup do Bairro casa-se com o universo artístico e performático de Paulx — ou Sofia. Daí a performance.
Segundo relatos de pessoas presentes no BloCU, a apresentação não se resumiu à chuva dourada. Sofia sacudiu, ainda, os cabelos molhados de urina, atingindo os passantes. Ela e o rapaz que a acompanhava no palco improvisado também se penetraram com os dedos. Antes, de acordo com relatos, ela havia defecado na rua.
De acordo com um relato de um amigo, a performer estava apreensiva na manhã da quarta-feira devido à repercussão do tuíte de Bolsonaro. Evitava se expor, mas estava mantendo contato com amigos e amigas. Após a divulgação do vídeo, ela fechou seus perfis nas redes sociais. Procurados, amigos e colegas de Paulx não quiseram falar com a reportagem, com receio de que Paulx — emocionalmente frágil — seja perseguida.
Em seu post, Bolsonaro usou a cena para sugerir uma reflexão a respeito da “verdade” sobre o “que têm virado muitos blocos de rua no Carnaval brasileiro”. Foi criticado no país— inclusive por aliados de seu governo — e fora dele pela postagem. Horas depois de postar o vídeo, o presidente negou a “intenção de criticar o Carnaval de forma genérica, mas sim caracterizar uma distorção clara do espírito momesco”.
Porém, por algum lapso, Paulx esqueceu de deletar sua conta no YT, e os vídeos arquivados encontrados por lá seguem logo abaixo.




















































Como podemos ver todos os vídeos eram chamadas por festivais chamados de Kuceta e Montrash.
E aqui você pode ver uma compilação dos grande tipos que aparecem por lá:
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Esses festivais a pró diversidade, como dizem em suas chamadas, deixam bem claro quetipo de pessoas aceitam e não aceitam nessas festas.
O evento é protagonizado por corpos negros, trans, soropositivos, sexomarginalizados, desviantes e construído sob a perspectiva de apoiar e fortalecer uma comunidade e uma rede formada por pessoas que contrariam, combatem e são vítimas da norma, moral e economia heterocapitalista.
A organização frisa que também não tolera atitudes machistas, racistas, misóginas, transfóbicas, conservadoras, julgadoras, gordofóbicas, lésbofóbicas, meritocratas, nacionalistas, moralistas, xenofóbicas e putofóbicas e que o evento também pauta privilégios sistêmicos e marginalidades, ressaltando a importância da redistribuição financeira e fortalecimento das corpas afetadas.
https://monstruosas.milharal.org/20...ltura-e-politica-sexodissidente-em-sao-paulo/ (http://archive.md/kwB41)
Alguns tipos que deram as caras neste evento incluem o cantor trans Solange tô aberta.









































Felizmente como podem ver o mesmo não envelheceu bem, e agora virou uma rolha de poço que mal consegue ficar de pé.
















Kucetas também inclui a participação dos palhaços Gordura e Sujeira:
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Como você pode ver, uma das integrantes da dupla (Valéria Gomes) não teve uma boa transição da sua fase indígena para sua fase circense:
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Tem também o grupo anarcofakes ,protagonizado por Mogli Saura e Gil Porto Pyrata:

















Mas depois dessa performance fiquei sem comentários...
A dupla Ventura Profana e Jhonatta Vincente também costumam fazer um grande batidão, como por exemplo o memorável "O reino é das bichas":

















Realmente inesquecível...
Mas a esse ponto você deve se perguntar quem organiza essas festas , os grupos por trás disso se chamam Distro Dysca e seu subsidiário Monstruosas.
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Distro Dysca ajuda organizar e divulgar muitos projetos, alguns os quais podemos ver abaixo:
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Estes eventos, na maioria das vezes sempre consta com um desses 3 elementos chaves:
O primeiro é a Sue Nhamandu Vieira:
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Auto-proclamada filosófa da pornoklastia e guerreira contra o heterocapitalismo, decide promover seus grandes projetos como o Bucetyka, em que clama que ninguém nasce mulher, se torna uma mulher:

















Claramente depois do fracasso deste projeto, decidiu criar um crowdfunding para outro e até hoje não sabemos o paradeiro do mesmo:


















Sue também ensina as mulheres ejacularem usando uma laranja de exemplo, como pode ver:

















Ela também prova ser uma filósofa que deixa qualquer um no chinelo quebrando a ideologia da família com seus cursos pornoklastas didáticos:


O segundo elemento chave vai pelo nome de Bruna Kury:
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Os projetos de Bruna sempre tem grande proximidade aos sadomasoquismo envolvido neles:

















Nesta entrevista ao canal Cucetas Produções, Bruna fala sobre a sua carreira até chegar aonde está hoje:

















Esta entrevista revela que Bruna faz parte de projetos de Sue Nhamandu e faz parte grupo Coletivo Coiote, o qual obviamente tem o seu principal dono Raissa Vitral, retornando assim ao começo desta thread.
Aparentemente o nome coletivo Coiote se deve a tatuagem que os membros tem na perna:
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Continuando assim o trabalho de Raissa, o Coletivo Coiote faz projetos que simulam rituais macabros:
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https://www.select.art.br/teatro-da-crueldade/( http://archive.md/InQP9)

“Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”, Conceição Evaristo
No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. A cada duas horas uma mulher é assassinada. A cada 48 horas uma pessoa da comunidade LGBT é morta. Hoje, a expectativa de vida de pessoas trans no Brasil é de, aproximadamente, 35 anos – a metade da média da população brasileira. Indígenas e ativistas socioambientais também estão na linha de frente dos rankings mundiais de assassinatos. Estudos realizados com dados de 2017 apontam requintes de crueldade com que os casos de homicídio de minorias são praticados, envolvendo tortura, espancamento, sufocamento, esquartejamento, mutilação… Diante das trajetórias de dor, violência e sofrimento a que esses corpos vulnerabilizados e marginalizados são submetidos – e da incapacidade do Estado e da sociedade brasileira de interromperem a violência de gênero no País –, vemos surgir no campo da arte uma série de “revoltas em sinergia”, praticadas coletivamente por artistas que criam a partir de situações extremas.
O Coiote surgiu enquanto coletivo em 2011, no Rio de Janeiro, com uma série de ações orquestradas em resposta a ataques lgbtfóbicos. “Coletivo Coiote é força promovida pelos encontros; é mostrar por meio da experiência que outras vivências, outras políticas, outras sexualidades, outros gêneros e outros outros são possíveis na urgência do aqui e agora”, afirmam à seLecT as quatro integrantes do coletivo, por e-mail. “Gênero, sexualidade, DSTs, maternagem, transgeneridades, negritude, indigenismo, substâncias psicoativas, direito à cidade, à moradia, à alimentação e agroecologia foram postos no caldeirão que mantém o Coiote fervendo e coloca o corpo como ferramenta de tensão e questionamento ao senso comum e às normas vigentes.”
O primeiro encontro do coletivo reuniu Bruna Kury (que já utilizava o pseudônimo Coiote individualmente) e Raíssa Vitral em um festival de performance no bairro de Santa Teresa. A inconformidade com o corpo de uma, somada à atitude pornô não normativa da outra, gerou a ação Narciso Antropofágico (2011), em que depilavam os corpos e se mordiam até sangrar. Logo agregaram-se as manas Gil Puri e Marcia Marci. Em manifesto, o grupo elabora o que classifica como um “antiesteticismo burguês”, questionando o establishment artístico em favor de uma estética da opressão, do choque e do horror, que representa as pessoas que se identificam em suas vulnerabilidades.
“Nos colocamos por muito tempo como antiarte, mesmo sabendo que o que fazemos também é arte. Habitamos um não espaço dentro do campo das artes, pois as artes não nos conseguem ler, sentir, nos cooptar e nem o queremos. Não queremos inscrever nossas ações no campo da arte atual normativa, muito menos queremos entrar no queer museu branco da classe média carioca”, afirmam.

Uivo e revolta
As ações do Coiote põem o dedo na própria ferida. Reencenam situações reais em jogos físicos intensos que exteriorizam a angústia da violência vivenciada nos próprios corpos. As integrantes praticam automutilação, penetração anal, masturbação, envolvendo escatologia e excrementos, transmitindo ao público sentimentos de sofrimento e repulsa, como num teatro da crueldade (Antonin Artaud, 1896-1948). “A maioria das pessoas fica em choque. Acham agressivo demais, sujo demais, acham que não é arte, mas essas pessoas estão no lugar que eu quero que elas estejam, que é esse lugar de incômodo”, diz Bruna Kury no documentário @desaquenda (2018).
“As ações não são pensadas na legalidade”, continuam elas para a seLecT. “Coiote é pensar para além dos limites, borrar as fronteiras do E$tado-nação e ir de encontro à política institucional, fazendo pressão às administrações governamentais.” Em sete anos de atuação, a radicalidade de suas ações atingiu dois momentos extremos que acabaram por levar o grupo a um período de resguardo.
O primeiro foi durante a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro, simultânea à Marcha Mundial da Juventude (evento promovido pela Igreja Católica) e à visita do papa Francisco, em julho de 2013, quando Gil Puri, Raíssa Vitral e AnarkoFunk (projeto musical de funk com conteúdo crítico) realizaram uma ação quebrando imagens de santos católicos e se masturbando com crucifixos, “em crítica à postura cristã de recriminar as sexualidades dissidentes, à colonização de nossas religiosidades latino-ameríndias, e numa referência à violência sofrida por terreiros de religião de matriz afro, destruídos por cristãos intolerantes”.
O segundo aconteceu em uma festa na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Rio das Ostras, chamada Xerek Satânik, promovida por alunos do curso de Produção Cultural dentro da programação de uma disciplina cujo tema era Corpo e Resistência, em maio de 2014. “Na ação realizada a convite de professores da UFF, o coletivo montou um cenário com velas, um crânio humano e outros objetos. Raíssa Vitral colocou uma bandeira do Brasil dentro da vagina e a costurou, depois aconteceram algumas modificações corporais e a bandeira foi queimada. A performance foi categorizada na mídia como ‘ritual satânico’, porém tinha como objetivo denunciar a violência contra mulheres na cidade de Rio das Ostras, onde as ocorrências de estupros estão entre as maiores do País.”

Pornoterrorismo e pornorecicle
No texto Museo, Basura Urbana y Pornografia, o Coiote é citado pelo crítico Paul B. Preciado ao lado de Annie Sprinkle, Diana Junyet Pornoterrorista, entre outros, como autores de obras performativas e audiovisuais que não encontram ainda marcos de inteligibilidade, não se alinham aos critérios de feminismo e parecem cair em um vazio historiográfico, reivindicando novas categorias. Embora já tenham “contracenado” com Diana Junyet Torres, que influenciou toda uma geração queer com sua teoria do “choque como terapia, o horror como estética e o pornoterrorismo como linguagem”, as integrantes do Coiote não se reconhecem como pornoterroristas. “Assim como Diana Torres pensou o pornoterrorismo como um conceito, ele já vinha sendo vivenciado por outros corpos e em outras geografias. Aqui nos encontramos, enquanto Coletivo Coiote, utilizando e reciclando práticas inspiradoras e impulsionadoras, descolonizando conceitos eurocêntricos (como o que fazemos reciclando o Pornoterrorismo em Pornorecicle) e criando novos contextos para a arte contestadora latinameríndia, numa perspectiva sudaka e decolonial”, afirmam.
O anarquismo, o movimento negro (e as teorias de Achille Mbembe sobre a suscetibilidade dos corpos sob o capital), a cultura beatnik e o transfeminismo são referenciais. O Pornorecicle, de Bruna Kury, prega a utilização do pornô com intenções políticas e libertárias contra a indústria da pornografia normativa. Tem muito em comum com a pós-pornografia, corrente iniciada por Annie Sprinkle, que compartilha códigos do pornô, com uma visão crítica da heteronormatividade e da visão da mulher como mero objeto. Mas acrescenta a essa cartilha a negação de um “patriarcado branco cismagroheteronormativo, que extermina como em matadouros azougues xs corpos marginalizades” e inventa novos termos, como a “desculonização”, que nega a pornografia tradicional e a colonizacão cultural.
Não fosse a consideração à veemente postura decolonial do Coiote, seria tentador aproximá-lo de uma vasta linhagem anticultural dos anos 1960, a começar pelo Wiener Aktiosgruppe (Accionistas Vienense), que afirmava que todos os teatros, museus, óperas e bibliotecas deveriam ser arrasados, e que apresentavam forte oposição à redução das subjetividades às regras da família monogâmica, à ordem patriarcal, à heteronormatividade e à redução da libido ao socialmente aceitável e desejável. Se as coiotes se masturbaram em local público, queimando símbolos da Rede Globo e da Polícia Federal, em 1968, o acionista Günter Brus foi sentenciado a seis meses de cadeia por “degradar símbolos do Estado”, em uma ação em que se masturbou cantando o hino nacional austríaco.
O Wiener Aktiosgruppe posicionou-se explicitamente dentro do quadro socio-histórico de uma Áustria pós-fascista. Otto Mühl, que serviu no exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial, afirmou que o seu Acionismo era uma resposta pessoal à experiência do fascismo, mas também à sociedade do espetáculo que levou a população a uma amnésia dos desastres da guerra.

Seja marginal seja herói
Bruna, Gil, Marcia e Raíssa afirmaram a sua estética travesti como afronta a uma sociedade hoje enviesada na direção extrema-direita. Cinquenta anos depois de Hélio Oiticica erguer a bandeira do movimento marginália (com a obra Seja Marginal Seja Herói, 1968), elas se afirmam entre artistas que “pensam o empoderamento na própria marginalidade”, como um gueto que se fortalece sem a mediação das instituições e do Estado, em espaços protagonizados por pessoas LGBTQ+ e negras.
Em janeiro de 2019, elas lançam a publicação Crônicas Coiote, na qual pensam sobre os processos passados e sobre como se posicionar na história daqui para a frente, “neste momento de disputa política entre fascismos e democratura disfarçada de democracia”. A busca de referências cada vez mais negras, indígenas e quilombolas e a luta pela ascensão de mulheres e pessoas transgêneras aos espaços de produção de saber é o cenário por trás de suas performances-bomba e de sua Revolta, com r maiúsculo. “Hoje acreditamos em um devir coiote – há coiotes em todos os lugares, que estão fazendo coiotagens por aí.”
Confirmando assim que os protestos feministas de Raissa acabaram ficando progressivos suficientes que evoluíram em algo mais carnal envolvendo travestis.

Mas usando a brecha da entrevista com Bruna Kury, isso nos leva ao terceiro elemento chave: Vulcanika Pokaropa:
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Realmente uma evolução completa do ser humano até virar a criatura acima:
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E se não bastasse muitos aqui acharem uma palhaçada tudo isso, Vulcanika administra um circo só de travesti:
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Vulcânica ainda decidiu criar um projeto de entrevistas chamado Desaquenda, que expõe a carreira de muitas travestis e batalha dessas pessoas no dia-a-dia:

















Como já foi mostrado a entrevista com Bruna Kury anteriormente, Vulcânica também entrevistou outras figuras já mencionadas nesta thread, como Mogli Saura e Ventura Profana:

Também já entrevistou gente" famosa" no mundo trans, como o atriz Leonna Jhov e a escritor Dodi Leal:































Esse por último, também tem seu próprio canal de entrevistas:

















Dodi Leal foi outro que teve um transformação bem drástica comparado abaixo:
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Em seu canal também já tentou divulgar o seu grande livro De Trans Pra Frente:

















Dodi já fez entrevistas com Gil Porto e Lua Lucas:
































Lua Lucas que também já foi mencionado nesta thread, é um poeta que dá aulas no Cursinho Popular Transformação e fez parte do Transarau (mas falar sobre isso seria uma nova thread para poder agregar o conteúdo):
















Lua Lucas também voltou mais uma vez no canal de Dodi Leal para poder falar do evento que ocorreu após fazer um caos em um casamento gay, o qual foi convidado, por não ser progressista o suficiente:

















E assim concluímos que por vezes um "rat king" pode ter significado metafórico por tantos travecos andarem de uma forma unida protegendo uns aos outros nas redes sociais, mas por vezes pode ter também um forma literal, principalmente na parte de serem unidos pelo próprio excremento, considerando algumas performances apresentadas aqui.
Mas poderá ser também um "coyote king ", considerando o nome do grupo que deu origem a tudo isso?
Aí fica a critério do leitor.

Mídias sociais:
Coletivo Coiote:
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCGJnkUho7mjphYVVb6FnhuA
Facebook: https://www.facebook.com/coletivocoiote/ (http://archive.md/3HbSs)
Site: https://frescuss.noblogs.org/ (http://archive.md/mUiWV)
Distro Dysca :
Site: https://distrodysca.milharal.org/ (http://archive.md/Zg9wL)
Facebook: https://www.facebook.com/distrodysca/ (http://archive.md/h23Jf)
Monstruosas:
Site: https://monstruosas.milharal.org/ (http://archive.md/cmMkH)
Cucetas Produções
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCWL4Key_oqqWkVAqS-AMrwg
Facebook: https://www.facebook.com/cucetasproducoes (http://archive.md/b0wj9)
Instagram : https://www.instagram.com/cucetasproducoes/
Bruna Kury :
Facebook: https://www.facebook.com/xbrunakury?ref=br_rs (http://archive.md/6YZpW)
Instagram: https://www.instagram.com/bruna_kury/
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCeLFMe1ZNl64KaD_e_AWV7Q
Site: https://brunakury.weebly.com/ (http://archive.md/bTzo3)
Vulcânica Pokaropa
Instagram: https://www.instagram.com/vulknik/
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC59SgCErMtFtfLE-28lrXnw
Facebook:https://www.facebook.com/vulkanikaa (http://archive.md/wI19P)
Instagram do circo: https://www.instagram.com/ciafundomundo/
Facebook do circo: https://www.facebook.com/ciafundomundo/ (http://archive.md/SVEsK)
Facebook Transvyadaji: https://www.facebook.com/transvyadaji/ (http://archive.md/no2K6)
Tumblr Transvyadaji: https://transvyadaji.tumblr.com/ (http://archive.md/LGY5p)
Solange tô aberta:
Youtube velho: https://www.youtube.com/user/solangetoaberta
Soundcloud: https://soundcloud.com/solangetoaberta
Gil Porto Pyrata:
Instagram: https://www.instagram.com/g.pyrata/
Facebook: https://www.facebook.com/gpyrata (http://archive.md/vmfTm)
Gordura e Sujeira:
Facebook Página: https://www.facebook.com/gorduraesujeira/ (http://archive.md/FbpRA)
Facebook Valéria Gomes: https://www.facebook.com/valeria.gomesz (http://archive.md/pnc0E)
Mogli Saura:
Site:https://www.moglisaura.com/
Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100005096446747 (http://archive.md/1s2vA)
Ventura Profana:
Facebook: https://www.facebook.com/boaventuraprofana/ (http://archive.md/Mh2cC)
Instagram: https://www.instagram.com/venturaprofana/
Jhonatta Vincente:
Facebook: https://www.facebook.com/jhonattao (http://archive.md/fdZWh)
Instagram: https://www.instagram.com/jhonattavicente/
Soundcloud: https://soundcloud.com/podeserdesligado
Tumblr: http://podeserdesligado.tumblr.com/...qZB3mNNbLE4HJuJ2Za8B0eI3qObmJQJ8DSQTbo2i-USVI (http://archive.md/eCxNz)
Lua Lucas:
Facebook: https://www.facebook.com/lualucax (http://archive.md/16f7o)
TRANSarau Facebook: https://www.facebook.com/TRANSarau/ (http://archive.md/ALhCr)
TRANSarau Instagram: https://www.instagram.com/transarau/
Cursinho Popular Transformação Facebook: https://www.facebook.com/CursinhoPopularTransformacao/ (http://archive.md/GL3yr)
Coletivo Popular TRANSformação Facebook:
https://www.facebook.com/ColetivoPopularTRANSformacao (http://archive.md/1iNeR)
Dodi Leal:
Facebook: https://www.facebook.com/dodi.leal (http://archive.md/4Dair)
Instagram: https://www.instagram.com/dodileal/
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCCdhlAwU-hGWQNdE6jQ1fbw
Site: https://dodileal.wordpress.com/ (http://archive.md/AdJHB)
Twitter antigo: https://twitter.com/dodileal (http://archive.md/hS2m6)
Sue Nhamandu Vieira:
Facebook: https://www.facebook.com/sue.nhamandu (http://archive.md/joRTD)
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCyk6ablpjkmSROWLKCVnxyw
Youtube pessoal: https://www.youtube.com/channel/UCfRYHeWGcps_Ucv_bdn671Q
 
Last edited:

ElAbominacion

Somewhere in the Swamps south of the Mexico border
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Puta que pariu, alguém devia prendê-los por atentado ao pudor ou ao menos por espalhar material contagioso na rua. Defecar em público? PQP.
 

AsianChris

The rates I give don't have personal bias
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Pra ser sincero, qualquer coletivo de faculdade pública têm o status de cow, automaticamente, mas esses malucos se superaram em toda bizarrice que já vi.

Segundo relatos de pessoas presentes no BloCU, a apresentação não se resumiu à chuva dourada. Sofia sacudiu, ainda, os cabelos molhados de urina, atingindo os passantes.
Por essas e outras que nunca me arrependi de ter ficado em casa no Carnaval.
Kucetas também inclui a participação dos palhaços Gordura e Sujeira:
Juggalos + HIV? Que Deus tenha piedade de nós.
 
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Sparky Lurker

Arauto do Autismo
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16/5: Quem tá precisando de ajuda pra alcançar o climax na hora H fica a dica:
O que intriga, é que quando fiz a thread estava com dúvida se a Sue era mulher ou traveco, o fato de ser mulher deixa as perspectivas bem piores.

Edit: Da série: belas formas que o censor do yt deixou passar batido.
Obs: Repare no rosto da Sue nos 2 vídeos e com isso considere que a diferença de tempo de gravação entre os 2 só foi 2 anos ( o primeiro em 2018 e o segundo em 2016), mais surpreendente saber que em um grupo cheio de traveco os mais doidos são as que são realmente mulheres ...

Update 30/05:
Se está a fim de jogar fora a sua última refeição, Cucetas produções publicou 3 novas entrevistas este mês:

Update 10/09:
As comunidades trans quebram mais uma das normas da sociedade nas artes visuais e agora podem brincar com velinhas e lâmpada fluorescente no escuro:
https://www.facebook.com/dodi.leal/posts/10220463285790940 (http://archive.md/ZtIXk)
Sobre pessoas trans na iluminação cênica: nossa simples presença desestrutura a norma, faz bugar o pensamento cisgênero. Aí aparecem as táticas do macho-frágil, do branco-drama e da cisplicação. Como se já não as conhecêssemos de muito tempo... tô boua.
Chama "trans" de um simples adjetivo, mas adora preposicionar teus conceitos com o radical "trans", né? Só faltou a radicalidade do radical.
Dizer que ser trans está na moda no Brasil de 2019 é porque não entendeu nada mesmo. Pra começo de conversa, ser cis esteve na moda durante todos os milênios. E hoje, mais do que nunca, ser cisgênero magoado, com perturbação com nosso protagonismo é que tá na moda. Sabe o que tá na moda? Ser cisgênero e ter ódio de pessoas transgêneras. Se são pessoas cis "entendidas" o máximo onde elas chegam na moda atual é defender uma "diversidade", superficial. No meu entendimento a inveja que pessoas cis sentem das pessoas trans se resolve sabe como? Transicionando beu abô 😉😎
As travestis estão famintas e somos nós que criaremos as luzes sobre nossas corpas. Aqui é TUDO-ELAS. Quer aprender, se aliar, apoiar? Primeiro me leia. Eu já te li horrores, sabemos muito bem das tuas epistemologias apropriadoras, dos teus devires acachapantes e das tuas monodimensionalidades que não conseguem se nomear. Você não cisvê, não ciscuta? Aí tem aqueles/as cis que citam de boca cheia Manoel de Barros com o verso "É preciso transver o mundo". Sim, estou plenamente de acordo. Mas pergunto: é possível transver o mundo sem transver o próprio gênero e a própria cisgeneridade??? Tenho a leve sensação de que não.
Manas: parem de dar biscoito pra macho branco cis. Eles merecem mais do que biscoito. Sabem o que eles merecem? De coração! Merecem uma refeição carregada de imagens fascinantes, muita fartura de aprendizado mesmo. Mas deixe que eles vão pra cuzinha preparar seus pratos e seus palcos. Não precisamos dos pau-cus deles, trabalhamos com a teatra fora dos pau-cus. Se há alguém que deve ser devorado aqui, são eles. As pessoas cisgêneras que desconhecem a transpofagia acham que ainda podem nos canibalizar.
A única pessoa trans professora na área de artes do ensino superior do Brasil e possivelmente de todo o mundo, de todos os tempos, a quem você lê agora, te diz para respirar e respeitar, acalentar o coração pois aqui tem espaço pra você. Aqui tem espaço pra você se rever, se transformar. Cis, aqui tem espaço pra você refazer de trans pra frente a tua história. Certamente as luzes de que falamos não são as mesmas.
Agradeço a todas as pessoas que apóiam meu trabalho e a luta de pessoas trans. Admiro as pessoas cisgêneras que se dedicam a aprender conosco sobre a mudança de paradigma que estamos vivendo. Mas este é o dever delas neah. Admiro muito mais as pessoas transgêneras que se mantém vivas e que fazem a história da teatra com sua presença e integridade.
Obrigada!
<3
Divido com vocês algumas imagens da oficina "A Arte da Performance e a contrassexualidade da iluminação cênica" oferecida dia 3/8/19 no Centro de Cultura de Porto Seguro / BA por Marina Matheus e eu no quadro da visita artística dela ao Centro de Formação em Artes da Universidade Federal do Sul da Bahia, pelo projeto ENCRUZI-TRAVA. Realização: ILUMILUTAS - grupo de estudos de iluminação cênica e processos sociais.
Fotos: Marina Matheus, participantes da oficina: Caz Angela, Annaline Curado, Caio Reis, Gal Sarmento, Hellen Roberta e Rui Rodrigues.
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Update 08/02:
Sue Nhamandu Vieira respondendo algumas perguntas e promovendo livros:
 
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Sparky Lurker

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Update 09/03:
Entrevista de Agosto de 2019:
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Diante de uma plateia, se banha em ervas como arruda, gengibre, salsinha, todas consideradas abortivas. Depois perfura a pele num número que faz a referência à proporção de mulheres que morrem após fazerem abortos clandestinos. Envolta de uma fogueira queimando as tais ervas, e já desnuda, retira da vagina duas bandeiras a favor do aborto legal. Em volta, projeções exibem cenas de igrejas queimando e políticos de extrema-direita discursando. Ao término, retira, uma a uma, as agulhas do corpo e se põe a sangrar. Inteira. A última performance de Raíssa Senra Vitral, exibida em 2018, num festival na província argentina de Córdoba, recebeu o nome de “Ritual Pornô-Terrorista Aborteiro Sudaka”.

O trabalho, segundo a própria artista, versa sobre a maternidade, o lugar da mulher, as fronteiras do corpo e os limites da vida. Se não deixou marcas em quem viu, restou no corpo de Raíssa uma verdadeira coletânea de registros da arte e da vida, se é que existe essa separação. São 11 as tatuagens que se espalham pela pele, incluindo as inscrições nas mãos “lama” e “caos”. Ainda existem os brandings e as escarificações, cicatrizes de performances. Gosta das modificações corporais, diz. E também da dor. Aos 31 anos, dez deles marcados pela presença no Coletivo Coiote, responsável por criações polêmicas, como a “Xerek Satânik”, num evento na Universidade Federal Fluminense, e o ato na Marcha das Vadias, durante a visita do Papa Francisco ao Brasil, Raíssa quer o diálogo. Longe dos holofotes, o grupo retorna agora, e lança, no próximo dia 23, em São Paulo, o livro “Crônicas Coiote” e um curta-metragem.

“O que acho mais legal é abrir o debate sobre o que é arte e o que não é. Tiveram vários textos sobre as performances, foi enriquecedora essa produção de pensamento. Por isso valeu a pena”, afirma a juiz-forana Raíssa. O que é arte para você? “Difícil de definir. Mas sei o que faço e gosto de fazer, que é uma espécie de antiarte, algo vivo. A performance, quando dizem que não é arte, é legitimada pelos convites que nos fazem. A performance é uma explosão do que a gente sente e está vivenciando com o que precisa ser feito no momento. Tem muita pesquisa antes sobre o que quero falar e o que está mexendo comigo. O processo de criação determina ações que queremos fazer e que achamos que vão dizer alguma coisa. O resto todo é intuição. Não vamos ensaiar, porque não é um teatro, mas uma vivência. É viver aquilo naquele momento e ver o que vai rolar.”

O ímpeto
O sangue já existia em sua primeira performance, quando cortou a cabeça de uma galinha durante um evento no Instituto de Artes e Design. “Hoje eu não faria essa de novo”, adianta Raíssa Vitral, aos risos. “É importante ver como mudamos no que fazemos. Hoje tenho a luta contra a morte animal. Para o meu processo foi importante e válido, mas não repetiria”, explica-se a artista, criada pela mãe, numa família amorosa, que a possibilitou estudar em boas escolas até o ensino médio. Aos 17, Raíssa, que tem uma irmã gêmea, engravidou de gêmeos, que nasceram prematuros e exigiram cuidados especiais. Mais tarde tentou vestibular para ciências sociais. Foi reprovada e mais uma vez fez a prova, buscando aprovação em artes e design. Não aconteceu, e ela se mudou, aos 21, para o Rio de Janeiro. “Deixei meus filhos com minha mãe e vinha de 15 em 15 dias. Foi difícil, mas foi necessário. Eu precisava me entender como pessoa, saber quem eu era”, diz ela, filha do lendário punk Marco Aurélio, o Coréia, um dos integrantes da banda IDR (Inimigos do Ritmo). Não se relacionavam muito, conta. Mas foi uma referência? “Foi”, reponde, sorrindo, a jovem que teve a carteira assinada apenas duas vezes, como caixa de um restaurante árabe e fotógrafa num estúdio, por três meses cada experiência. Fora da cidade, atuou fazendo divulgação e portaria de festas e fotografia de eventos até conhecer Bruna Kury, com quem fundou o coletivo artístico cuja estreia se deu numa casa em Santa Tereza, onde apresentaram “Narciso antropofágico”. Na criação, Raíssa expunha o próprio corpo, se masturbava e lia um trecho de “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera. Um amigo definiu: era pós-pornografia.

O rito
Os policiais apontavam nas ruas, a televisão exibia sua imagem, e o mundo a incriminava. Raíssa Vitral e seus parceiros de coletivo sequer estavam certos de se apresentarem na Marcha das Vadias daquele já longínquo 2013. Decidiram em cima da hora. E nas ruas do Rio de Janeiro, durante a Marcha Mundial da Juventude e a visita do papa Francisco, os jovens artistas se despiram e se masturbaram com imagens católicas. As cenas correram o globo. “Quando chegamos em casa, vimos que em poucas horas começaram a chegar muitas mensagens. Recebi muitas ameaças de morte, falando que sabiam que eu tinha filho, família e que matariam todo mundo. Então, fomos para a casa de uns amigos e ficamos fechados durante quase duas semanas. Isso me assustou um pouco”, lembra. “A performance em si durou muito pouco tempo. A gente estava na Aldeia Maracanã, vivendo o desalojo e pensando muito nessa igreja que roubou tudo, violentou e tentou apagar nossa cultura originária. Também pensávamos na matança, no genocídio da população indígena. Da mesma maneira, queríamos denunciar a violência contra os terreiros. Para mim, essa sacralização da mãe, como uma mulher pura, é uma coisa ruim. Para nós essas estátuas eram a representação dessas opressões. Como performance, se durou três minutos foi muito. Mas a repercussão foi grande. Gerou diálogo, e isso é rico”, avalia ela, que, menos de um ano depois, voltou às discussões pela performance “Xerek Santânik”. Valeu a pena? “Acho que devia ser feito naquele momento”, responde.

O grito
Recolher-se foi a única saída diante de tamanha exposição. Mas o gesto foi forçado. Em 2015, numa viagem à Serra do Cipó, Raíssa queimou gravemente o pé, passou por três cirurgias e ficou quatro meses sem andar. Silenciou. E cuidou de reconstruir laços. Depois das performances, ela perdeu a guarda dos filhos e distanciou-se da família. “Foram tempos duros. Passei por um tempo que meus filhos tinham um pouco de medo de mim. Hoje restabelecemos a confiança. Nos amamos. Eles me abraçam. Somos afetuosos”, diz ela, que também tratou de se reconstruir. Durante alguns anos, Raíssa viveu em ocupações, nas ruas, em casas emprestadas e viajou até o Nordeste. Por cinco anos, sustentou-se somente com as artes urbanas, vendendo zines e fazendo malabares. Atualmente ela faz frilas de garçonete para comprar um computador, uma câmera fotográfica e investir em residências artísticas. “Tenho que ter um pouco mais de estrutura para continuar trabalhando. Quero sair um pouco dessa precariedade, também. Hoje vemos uma necessidade de ter um pouco mais para poder escrever, falar, editar vídeos”, pontua a artista, que após passar um ano na Argentina, terra do namorado Braian, regressou a Juiz de Fora, primeiro para morar com a irmã e, agora, numa casa que conseguiu alugar e que divide com o parceiro e dois cachorros. “Fomos para a rua, para a linha de frente. A revolta era muito grande em nossos corpos e em nossas vivências. As performances são o que acho que tem que acontecer num determinado momento, independentemente de quem está fazendo”, observa, certa de que a arte preserva formas e formas de combate. “As coisas mudam, e muda a forma como fazemos as coisas.”
 

Thrasher

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País que leva esses degenerados a sério merece muito mais que 7x1. Devolve pros tugas, porque tá foda.
Devolve pros nativos pois foram os comedores de bacalhau que começaram essa esbórnia que a gente chama de nação.

Indígenas e ativistas socioambientais também estão na linha de frente dos rankings mundiais de assassinatos. Estudos realizados com dados de 2017 apontam requintes de crueldade com que os casos de homicídio de minorias são praticados, envolvendo tortura, espancamento, sufocamento, esquartejamento, mutilação…
Convenientemente usam a taxa de homicídio de índios e ativistas ambientais, pessoas essas realmente que botam a sua vida na linha para defender suas terras/defender uma causa, a fim de ganhar simpatia para o movimento indecoroso deles que nada mais é do que um circo de aberrações piorado.

Talvez, essa seja a melhor parte pois assim eles geram mais lulz pra darmos risadas da afronésia deles.
 
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Sparky Lurker

Arauto do Autismo
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Entrevista recente com um membro que começou o próprio grupo:
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Produtora cultural Marcia Marci criou espaço que mobiliza jovens moradores do Grajaú e de outros bairros para debater gênero, sexualidade e a ideia de ocupar a cidade


O sonho de poder ocupar a cidade de dia, ocupar seu bairro em um momento que não fosse apenas de noite, moveu Marcia Marci, 30, produtora cultural, jornalista e moradora do Jardim Icaraí, bairro do distrito do Grajaú, na zona sul de São Paulo, a materialização do Sarau Travas da Sul, uma iniciativa que segundo ela sempre foi seu sonho. “Para mim é materialização de um sonho, criar um cenário que é possível de se habitar, que seja menos perigoso, que a gente possa falar sem ter receio ou medo de existir”.

Ela explica que o anoitecer na periferia possui significados simbólicos quando se é travesti na quebrada. “Muitas vezes eu me sinto segura só à noite, só quero sair de noite, então o sarau vem para tirar a gente da noite, dos guetos, e ocupar a cidade enquanto direito sendo uma trava, uma bicha, um gay, uma sapatão, sendo o que quisermos ser”.

Neste universo, Marci surge protagonizando a criação de encontros literários, como a realização do Sarau Travas da Sul, iniciativa que nasce para ser um espaço para preservar e valorizar a liberdade de expressão e acolhimento da comunidade LGBTQI+, através da difusão de trocas de afeto, vivências políticas e construção de senso crítico.

“Eu quero que as pessoas venham aqui e mostrem seus trabalhos, sua arte e também trazer essas pessoas para serem produtoras culturais”, argumenta, enfatizando que esses espaços coletivos como o Sarau Travas da Sul e o coletivo Coiote lhe ensinaram muito sobre brigas, respeito, cultivar os afetos e principalmente a celebrar a vida, de acordo com o que ela se identifica.


O trabalho da produtora cultural vai além do movimento cultural, político e afetivo com a comunidade LGBTQI+. Ela também está em busca de criar outros imaginários de vida, a partir da importância de celebrar a identidade nesses espaços coletivos.

“Esse processo todo de trabalhar com a cultura, entender a articulação de território, entender a comunidade do sexo dissidente acaba chegando ao sarau, nesse lugar de diversas linguagens e narrativas que são produzidas pela comunidade de sexo dissidente no geral”, conta ela.

Marci lembra que o seu passado foi marcado por muitos atritos com a família e com o bairro onde ela mora, mas que hoje, a cultura lhe possibilita outras leituras de mundo. “Tinha uma relação muito difícil com a minha família, com meu território e comigo mesma, mas agora consigo viver e criar outras possibilidades, e sempre dialogando com a quebrada a questão da travestilidade, como essas discussões acontecem nas periferias, como é entender que a travesti não é trans, mas é uma mulher e também não é cisgênera”.

Território e identidade travesti
Ao entender o contexto de ser travesti na quebrada, Marci usa várias linguagens e narrativas que atravessam a sua existência, para distribuir pelo Grajaú e pelas periferias de São Paulo suas inquietações, com sua escrita e sua fala, a fim de alcançar outras pessoas, pautada pela criação de outras perspectivas sobre ser LGBTQI+ nas bordas da cidade.

Ela também questiona o termo ‘trans’ e devido à reprodução de narrativas, a produtora cultural ressalta que há uma necessidade de compartilhar conhecimento de forma coletiva no território e traduzir alguns conceitos ainda pouco difundidos na quebrada. “Como as pessoas falam essas narrativas nas periferias? Aprendi tudo isso e tento passar. Hoje eu sou uma mulher travesti no Grajaú e me sinto muito mais segura aqui e nas quebradas de São Paulo do que no centro da cidade”.

Marci explica que ser travesti não é ser trans. Segundo ela, isso abarca transgêneridades, pois trans é uma palavra que vem da Europa, desse sistema médico e jurídico para normatizar, falar o que é, e inclusive como tratar isso. “Eu me reconheço como travesti, me sinto bem como travesti, e me sinto bem como travesti no Grajaú”.

Para a produtora cultural, o direito à cidade e principalmente o direito ao território é algo distante na vida de muitos moradores da periferia que vive a rotina de correr do trabalho pra casa, e muitas vezes do trabalho para o lugar que estuda e só depois para casa. Ela acredita que essa rotina atrasou a construção de sua identidade e raízes, a partir do convívio nas periferias do Grajaú.

“Com uns dezoito ou vinte, comecei a estudar jornalismo e logo consegui um estágio na área e eu ficava o dia inteiro fora. Nesta época comecei a estudar gênero, e eu me entendia enquanto homem gay. Minha sexualidade vem mais tarde e a minha identidade eu escondi de mim mesma por muito tempo”, relembra.

A articuladora cultural conta que começou a viajar pelo Brasil com o coletivo Coiote, fazendo atividades de literatura libertária, lendo textos e causando discussões sobre gênero, feminismo e educação e nesse processo ela consegue se desprender do padrão do gênero masculino e se reconhecer como Marci, uma mulher travesti.

“Comecei a viajar com o pessoal do Coletivo Coiote, trabalhando com a leitura e discussão de textos libertários, fazendo fanzine e tudo. Aí nesse período foi quando me percebi saindo do padrão desse gênero, quando eu usei saia, quando eu me questionei enquanto homem”, afirma.

Construa a Ponte

Este processo trouxe várias memórias de sua infância quando ela já sentia que não queria ser o menino que todos enxergavam nela. “Eu me lembrei de quando eu ganhei cueca no meu aniversário de criança. Eu chorei muito, muito, muito, e as pessoas preocupadas, perguntando por que eu tava chorando e eu dizendo que queria ganhar tudo menos uma cueca”.

A partir do momento que se abandona essa identidade masculina, ela começa a se ver como uma mulher travesti e não uma pessoa trans, relatando que trans é uma palavra trazida da Europa, usada para normalizar os corpos. “É importante deixar claro que não me reconheço como uma mulher trans, mas sim como travesti, porque existe um apagamento da identidade travesti, assim como as ‘Muxes’ no México são identidades não cisgêneras. As travestis são identidades não cisgênera, então quando a palavra trans vem é pra colonizar um corpo não cisgênero”, conclui.
Acho até interessante que no artigo explica que o "travesti brasileiro" está cada vez mais tentando se distanciar do "transgender norte-americano".
 
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